sábado, 17 de julho de 2010

Chuva Interior - Mario Chamie

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.

— Mario Chamie

quinta-feira, 24 de junho de 2010

TAVA NOUTRA PAG.

Um sopro que move os cabelos, trazendo a tona o que deveria ser aprendido;
As reminiscências que provocam o silêncio, no momento oportuno;
O assunto que melhor conheço, sempre que perco o juízo;
O reconhecimento do letal fracasso, sempre que deparo com o impossível;
O som alto, daquilo que em todas as alvoradas silencio;
Uma explosão em rosas, onde sobram aos demais apenas os espinhos;
Um disparate aos olhos atentos, dos que buscam entendimento;
Portadora daquilo que ficou preso, a esperança do absurdo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Manifesto apaixonado...

Obs: Como as palavras são manifestações de nossos sentimentos e sensações do exato momento, não saberei dizer se o redigi em 13 ou 14/05, pois o 13 ainda não havia findado, uma vez que trago comigo o turbilhão de emoções deste dia e dos anteriores a ele, mas na cronologia insensível já havia passado das 00h00 e acabara de despontar no céu paulistano o tal 14/05...entretanto...rs..

Estou apaixonada; nem por mim, nem por ninguém, mas por todos;
todos os que passam, passaram e por ventura passarão;
pelo todo, por tudo, pela vida;
pela dor, pela "misturança",
pelos sorrisos das ruas e dos ônibus frios e ensolarados;
pela indiferença do diferente e,
pelas diferenças indo em frente;
pelas angústias e incertezas,
certas e recorrentes,
das correntes dos homens coerentes,
pelo medo manifestado e expresso em forma
de flor;
pelo desabafo, desembaraçado que só,
não mais pertence a ninguém,
mas a todos os presentes,
aplausos vazios e uníssonos,
nas cançõs mudas,
pelas rugas e brancos, e ninguém,
mas por todos,
paixão latente...

domingo, 9 de maio de 2010

Há quem diga!

Há quem diga que o tempo não volta, tô longe de querer provar que materialmente este retorna. Não, dentro das limitações do ser, não seria possível, a não ser se houvesse uma mudança radical no conceito. Porém, o tempo volta dentro das recordações.
As pessoas, lugares, coisas, situações passam, mas os sentimentos sempre nos conduzem ao momento certo aonde paramos.
Forçoso é acreditar que neste mundo, aonde nada nos separa, apenas nós mesmos, jamais nos reencontraremos. A aurora do dia, por meio de um elogio me reconduziu a  reviver um "amor de tantas rugas", ao menos relembrá-lo, com muito carinho. Penso que nada justificaria tamanha distância que estes ventos do tempo fizeram lançar esta flor do meu jardim ônirico. Já que como sempre estou presa ao mesmo lugar, vivendo as mesmas coisas de maneiras diferentes, com arvores distintas, mas no mesmo lugar!
Estamos sempre querendo saber quem está por trás do aço do espelho. Afinal a ansiedade dos que vivem nas grandes metrópoles é tão frenético e constante quanto as buzinas, faróis e barulho dos passos nas ruas.
Há quem diga que as pessoas passam, assim como o tempo do relógio, só que elas ficam, e ainda tentam nos pregar peças, tendo uma má interpretação do outro. Tenho muito carinho por todos que passaram, e ainda estão passando, para poderem continuar sua caminhada, mas assim como na música "meus bons amigos ondde estão notícias de todos quero saber".
Tô certa?
Ademais...rs...merci!

sábado, 3 de abril de 2010

Lembrancinhas

Há tanto que não escrevo, e deixo aqui apenas misturas de confissões e reminiscências. Porém, com doses muito maiores de confissões, uma vez que o calar presencial é mais confortável.
Havia uma muringa cheia da presença, que por vezes distante, e mais figurativa do que o real me premitia enxergar, já que o ônirico confortável me pregava peças como estas. O real pediu licença para se manifestar, e mostrar que não há apenas desfigrações em sua existência. Desde então, no lugar dos leves personagens sem densidade, que tomavam conta da muringa que prestes a transbordar estava, e não movia-se por carregar tamanho peso, ocupou-se de vazio, pelo finitude do filme q acabara por registrar a última cena. O filme virou negativo, e as fotos nem ao menos foram ampliadas, mas já estão em belo arquivo, aguardando seu lugar nas próximas representações e exemplos no real.
A muringa ficou vazia, e com isso passar a ocupar outros espaços, desta forma outras reminiscências tomam corpo. Como a canção de Geraldo Vandré que papai cantava; e eu quando pequena nem sabendo de todo significado que continha repetia com ele "vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer". Quem dera ter realmente aprendido todo o significado, ou mesmo realizado apenas o que ele queria me ensinar.
Esperei, pensei, esperei e repensei; a atitude mesmo veio depois, mas veio, e antes tarde que nunca, mas nunca seria muito, ou pouco, já que não se pode medir o que se é, tendo apenas a certeza do transitório, deste mundo para outro, desta paixão para outra, e de tantas outras coisas para outras...mas, restando sempre o amor, porque este não transita, fica marcado pelo resto da vida, seja ela mais um dia, ou mais cem anos...

Ps. Este texto faz parte da campanha: "O que importa mesmo é a mensagem". Então, desculpem os mais antenados em gramática.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Vagão.

Penso que se nada fizesse, estaria sendo mais honesta comigo, meus sentimentos... Afinal, já não sou tomada pelo ímpeto da realização material humana.
A palavrinha "material humana", é somente para demonstrar certa consciência de algo abstrato e instigante. Porém, a linha que diferencia o que é material do abstrato dentro de nossa cabeça, é por demais tênue. Separar o que é palpável daquilo que nos é permitido experimentar apenas por meio de sensações, abre uma brecha para contestar a honestidade das primeiras afirmações.
Realizo única e exclusivamente pequenos sonhos que nem são dignos de frios descompassados nos interior do corpo. Tudo tão solto, feito sapato largo, aqueles que afrouxam após anos de uso, e você nem sabe o motivo de não substituí-los por novos, e ainda usa o conforto como desculpa para a insanidade.
Nem é uma tentativa de retratar algo triste ou melancólico, mas sim um grito desesperado em papel e tinta para ver se o universo joga algo escrito da mesma forma, porém com cara de explicação ou exemplo do mesmo, para surtir o efeito confortante e conformado do tipo: Tá todo mundo no mesmo vagão!!!!

(...) confissões

(...)confusões

(...)reminiscências